Abril - diário de aventuras

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Abril - diário de aventuras

Mensagem por MarinaCavoli em Seg Set 04, 2017 12:00 pm

Ela encarou as mulheres, meio assustada, não fazia nem três dias que tinha voltado para dentro das muralhas que nasceu, suas roupas ainda destoavam do resto do castelo, afinal, todas as roupas que tinha eram o uniforme do monastério, cuja diferença entre si era um tecido mais grosso ou mais fino para dias de frio, ou mais curtos ou longos, pelo mesmo proposito,enquanto as moças a sua frente portavam brincos, colares, enfeites da cabelos, vestidos de cores variadas com babados e diferentes camadas, aquilo era muita coisa pra monja, estavam marcadamente demonstrando poder com aquilo, e seus olhares mediam a garota,o que fazia ela se sentir ainda mais assustada.

- Sabe que seu pai nos enviou não é?-

A monja engoliu a seco, quando a mais velha falou, ela tinha os cabelos brancos presos em um complexo coque na cabeça, e uma voz especialmente ácida e impaciente. A garota acenou com a cabeça positivamente, aquelas eram seguramente as damas de companhia que iriam prepara-la para o casamento, coisa que sua vida monástica nunca se preocupou, nem mesmo ela, pensava em passar o resto dos seus dias nas terras do monastério ao norte do pais, e que nunca mais voltaria à Terceira Torre.

- Temos muito a fazer.- reclamou uma segunda - Mal se diferencia você de um menino remelento, nem se quer sabe boas maneiras, nem nos disse seu nome.-

Ela olhou para baixo constrangia e talvez com uma pontada de raiva e ainda olhando para as próprias botas respondeu baixo.

- Eu não tenho um nome.-

As mulheres se entreolham impacientes até que a mais jovem delas, uma moça de cabelos escuros e que não parecia ser muito mais velha do que a monja se adiantou.

- Por que não?-

- Eu fui enviada ao monastério muito cedo, ainda nem tinha perdido todos os meus dentes de leite, então ainda não tinha um nome. No monastério nos trocamos de nome, para não nos apegarmos a coisas de pouca importância, todos os meses mudamos de nome, tiramos eles em sorteios.-

- Então qual foi seu ultimo nome?- perguntou impaciente a mais velha.

-Lobo, meu ultimo nome foi Lobo.-

As duas moças mais jovens abafaram uma risada de escarnio enquanto as mais velhas demonstraram menos paciência ainda, como se a monja lhes tivesse respondido algo ofensivo.

- Nem mesmo um nome essa criatura tem! Tem jeitos de criança, não sabe se portar, o corpo é desproporcional, fala como um menino, seus filhos certamente precisarão de uma ama de leite, não conhece os clássicos, não entende de musica há! É quase um caso perdido, e temos que transformar essa criança mal formada em uma boa esposa em uma ano, Zera espera que um colar de perolas torne um porco magicamente em uma dama.-

- Mas um porco não gosta de perolas,um porco gosta de cascas e de brincar na lama- respondeu a monja ainda olhando para os dedos

- Ha! Aquila, comece você, e veja se nos entrega um animal menos barbaro ao fim do dia!-

As quatro se retiraram do quarto, as velhas com caras carrancudas e as mais novas abafando risinhos.

A moça de cabelos escuros sentou-se na cama exageradamente adornada do quarto exageradamente adornado que foi dado a Loba. Aquila apontou para o espaço ao seu lado para que a monja se sentasse, mas ela se quer se moveu.

- Eu não estou confortável em sua presença, nem na sua nem na delas, eu não serei hostil, pois isso não é certo ja que não fui atacada, mas não existe necessidade de eu ficar mais perto de você do que estou agora.- respondeu a monja sem se mover

- Eu sei que está assustada, eu também estava antes de me casar, E eu entendo que não goste das suas damas de companhia, eu também não gostava das minhas, mas somos contratadas exatamente para encontrar o que está errado e concertar,ou mascarar. Entendo que como uma monja essas coisas não eram importantes pra você, mas agora são.Nos ajude a fazer as coisas darem certo, ja que é impossível impedir que aconteçam.-

A monja não respondeu, então Aquila andou até ela, só então percebeu com que perfeição a monja escondia as lagrimas. Aquila respirou fundo para se juntar a menina, afinal era sua dama de companhia, deveria prepara-la para o casamento e não dividir o desespero, o que ja calculava, ser impossível.

- Eu era pouco mais nova que você quando casei, um casamento igualmente arranjado pela vontade do meu pai, e eu também fui preparada para ele assim como o prato principal do banquete...Vamos fazer disso, o menos doloroso possivel.- a monja apenas acenou positivamente.- Agora já que ninguém te deu um nome, eu vou te batizar, eu posso?- a garota acenou positivamente com a cabeça.- tem algum nome que goste?- a monja acenou negativamente.- Você sabe, em que mês nasceu?-

- O céu é azul límpido, e o vento soprava gelado enquanto o sol brilha, e o chão está coberto das flores ainda coloridas que caem no final da primavera.-

- Isso é, Maio ou Abril. Lembra o dia?-

- Não sei.-

- Que tal isso, Abril seu nome pode ser Abril.-

Abril ainda tinha lagrimas nos olhos, mas por um motivo que ela não soube explicar estava satisfeita de ter um nome, nunca sentiu falta de um nome no monastério, mas as coisas eram diferentes em Terceira Torre, muito diferentes.


Introdução

- Vai doer?- a garota perguntou temendo a resposta
- Só se você resistir.- respondeu a deusa com a voz felina.
No fundo do templo estavam os quatro, o alto sacerdote da deusa da destruição, a deusa em sua forma favorita, a de uma pantera com chifres brotando ao lado das orelhas felinas e olhos amarelados que faiscavam como fogo na escuridão, Aquila que olhava a cena contrariada e de braços cruzados, e no meio estava Abril.
As velas amarelas queimavam a sua volta, soltando um cheiro que parecia açafrão enquanto ela estava de joelhos com os calcanhares e os pulsos dentro de grilhões maiores que eles, e mais uma no pescoço. O ar estava denso, para a aleziana de cabelos azuis estava difícil respirar, ela não sabia se era por estar em uma masmorra muitos metros abaixo do chão ou se por estar nervosa.
- Não fique tão tensa filha Zera, você quase não tem habilidade em combate, suas artes defensivas nem sempre poderão salva-lá, o que quer fazer? Morrer antes de fazer sua parte no acordo? Deixar Aquila sozinha aqui, sem saber se você está viva ou morta, esperando eternamente por você, apenas para manter um código daqueles que deveriam ser seus irmãos, mas assim que foi solicitado te devolveram para seu pai como uma moeda de barganha apenas para ter outra ala no monastério? Ela estará segura aqui, mas até mesmo em suas esperanças mais utópicas você sabe que não posso manter ela segura aqui pra sempre, assim que o rei ouvir as revindicações de seu pai, ele virá para destruir vocês duas! É isso que você quer? Se não apenas aceite meu presente, eu estou sendo muito generosa, apenas meu sumo sacerdote tem essa graça!-
Abril começou a tremer, e seus pesadelos começaram a vir a sua mente, aquele tipo de crime tinha um nome especifico "aberração", ele ia contra a natureza das coisas, ela uma violação tão grande das regras que era passiva de todos os castigos, então antes de morrer elas seriam torturadas com todos as formas escritas na lei, para servir de exemplo.
- Faça! - disse com o corpo tremendo, com lágrimas nos olhos só pelas possibilidades, mas com a coragem gerada pelo desespero.- Faça logo.-
- Você deve lembrar sua causa, o tamanho e a importância dela, quanto mais firme estiver em seu propósito mais poderoso será sua forma de pantera. Não negue nada, não despreze nada, não se esqueça, se faltar algo ela será fraca e frágil, incapaz de te obedecer! E não tente impor sua vontade a ela, apenas deixe correr.-
Abril fez que sim com a cabeça enquanto fora do circulo de velas amarelas a deusa se posicionava em forma de ataque, característica de felinos, ela mostrou os dentes enquanto a pantera comum se tornava maior.
- Este é o contrato e eu juro cumpri-lo, de hoje até o dia
em que esse corpo se desfizer, e se tornar pó sobre a terra
Quebre-me em todas as partes, me torne grão de areia
para que minha nova forma possa ser então construída.-
Abril sentiu uma coceira embaixo da pele, como se pequenas formigas estivessem andando lá e embaixo e quando olhou para sua pele, ela estava rachando como um vaso de barro, ela entrou em desespero, usou as mãos para tentar afastar as rachaduras para apenas ver os pedaços da sua pele darem lugar a uma pelagem negra e lustrosa, ela sentiu seus olhos arderem e os fechou, quando abriu não estava mais no templo.
A luz do dia entrava calma pela janela aberta do monastério de paredes de pedra, mas gritos fruiam de lá. Uma garotinha de 7 anos se debatia para que seus longos cabelos eram cortados mecha por mecha.
-Por favor não! É a unica coisa que tenho da minha mãe!
- Tudo vira mana no final das contas, não se apegue a coisas como essa.-
A lembrança do desespero sobe a sua garganta, ela tenta gritar mas não tem som, ela apenas vê mecha por mecha cair. Ela sente que vai vomitar, não comida, mais desespero
A imagem é cortada a deusa olha pra ela como uma presa, seus olhos brilha intensamente suas presas agora parecem avermelhadas.
- Ainda não- ruge a divindade
Abril sente então como se suor descesse do seu rosto, ela tenta limpar, e o que resta dos cacos de sua pele ficam avermelhados, ela olha para os lados mas não existe nada, nada além dos olhos amarelados.
"Você terá um nome novo todos os dias, dessa forma não terá nenhum"
"Mas meu nome... eu gostava tanto do meu nome ele era... eu não lembro, mas eu tinha um... eu só... não lembro, quem..."
Ela sente as costas rasgarem, como se a pele fosse apenas um pedaço de tecido, ela sente a dor espalhar e algo como fogo nas veias, algo aperta seus pulsos e seus calcanhares, ela tenta se livrar mas as sensações não passam. Que cheiro horrivel.
A deusa pula pra frente avançando sobre o circulo, pulando para cima da garota que se contorce, pouco antes de acerta-la ela se transforma em uma densa fumaça na forma de pantera, e atravessa a garota.
Uma jovem é arrastada por um corredor, seu vestido adornado está rasgado ela é levada por dois guarda, ela tenta se livrar e alcançar uma segunda, Aquila.
-Não, Aquila não... vão... vão mata-la,por favor não,eu não.-
-Agora!- As presas da deusa estão pingando sangue quando ela se lança para cima de Abril que se contorce de dor no chão. Ela coloca suas garras afiadas sobre ela rasgando a roupa e a pele, dando lugar a algo novo, o sangue da deusa pinga na nova pele da garota quase como ácido. A menina grita, até sua voz se tornar um rugido.
A deusa se afasta enquanto contempla sua criatura, a pantera se debate tentando se livras dos grilhões, mas as correntes presas ao chão a impedem de ir longe. Ela tem olhos castanhos enormes, seus chifres são azulados e os dentes incrivelmente brancos.
- Hora veja só.- diz a deusa se sentando para admirar a Abril pantera se debater raivosamente contra as correntes.- Ela realmente está disposta a fazer qualquer coisa...-

MarinaCavoli

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