A prisão dos mortos - Fome

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A prisão dos mortos - Fome

Mensagem por Edgard em Qua Set 20, 2017 10:38 am

Vagando pela terra inóspita, se apoiando nos quatro membros, lentamente procura algo para saciar sua fome. O rio de águas negras, não parece nem um pouco agradável, as arvores mortas, que pontualmente povoam aquele lugar, não possuem nada que saciariam a criatura. Ao longe, em todas direções, incontáveis sombras sem superfície, será nelas que a criatura encontrará o fim do seu desejo?

O monstro atravessa entre as sombras que o ignoram, e nem mesmo o odor do medo, que a monstruosidade tanto gostava, ele pode sentir naquelas sombras. Ele murmura algo com tom de clamor:

-Meeeestre, eu fome, meeeestre!!!!

E num ímpeto selvagem a criatura ataca a primeira sombra que lhe passa, a destrói com suas presas e engole cada resto, aquilo lhe nutre, traz memórias, mas não lhe dava prazer, a monstruosidade precisava rasgar, dilacerar, destroçar a superfície, antes de devorar o que lhe nutria, ela sentia um ímpeto infinito de destruir cada sombra que vagava naquela vastidão, e assim partiu a fazer.

A partir da décima sombra destruída a criatura deixou sua postura quadrúpede e passou a se firmar apenas nos dois membros inferiores, ganhando em velocidade e força. Seguindo com a aniquilação, a criatura ganhava mais e mais tamanho e se tornava cada vez mais voraz e disforme, sua bocara crescia em proporção ao corpo, seus membros superiores se tornavam maiores e mais volumosos. Até que todas as sombras ao seu redor estavam engolidas, mas seu desejo de se alimentar continuava.
A criatura começa a perder tamanho, mas em vez de voltar para patética forma quadrúpede, se transforma em uma forma humanoide com uma bocara ametrontadora.

-Não senti nem uma gota de sangue nessas vitimas, nem o sabor da carne ou a suculência de um cérebro. Esse lugar será minha prisão? Certamente não, se tentaram me prender aqui, estão totalmente enquivocados.

A figura humanoide começa a andar.

-Sinto meu mestre aqui, vou encontra-lo, e então sairei em busca de carne, não existe lugar que me prenda, não existe barreira que eu não possa rasgar com meus dentes.

A cada dia de caminhada por aquela vasta terra, a criatura começa a voltar a ser aquela figura deprimente, esguia, curvada, que se apoia nos quatro membros. Mas para regredir o processo, a mesma se alimentava constantemente de sombras do local.

-Mestre, onde você está?
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Hesitação.

Mensagem por Arthur em Qua Set 20, 2017 10:07 pm

A paisagem nunca muda. Aridez e morte. Não é noite ou dia, o céu é vermelho, mas não como sangue. É uma cor baça, enjoativa, lembra doença, pesadelo. Algo se move pelo deserto. Parece que ele já foi um homem, mas não é mais o caso. Sua face emoldurada por longos cabelos secos esta contorcida numa careta de dor. A pele seca e racha expondo ossos. Seus pés se arrastam, um depois do outro, sem parar. As mãos cadavéricas oscilam ao longo do corpo. Um murmúrio constante sai de sua garganta, mas a boca está imóvel. Seus olhos queimam com chamas negras. Ele combina com o lugar. Por onde passa as sombras dos esquecidos notam sua presença. Elas se aproximam se curvam e depois o seguem. Ele nunca para. Também o murmúrio não sessa, parece um lamento ou um mantra...

Um ponto de luz surge no horizonte. É uma fogueira. O lich se aproxima dela lentamente, entrando no raio de sua luminosidade. As sombras se fundem à escuridão.
Em volta da fogueira aventureiros maltrapilhos correm para uma formação de batalha. Eles apontam armas de todos os tipos para o invasor. Seus rostos estão marcados por duras expressões. São sobreviventes da Zona Fantasma, já não se assombram com as ameaças que encontram, não importa a aparência que elas tenham. Um deles quebra o silêncio.

- Diga o que você é o que deseja em nosso fogo!

O lich os encara por um momento, depois volta os olhos em direção à fogueira. O murmúrio para. A boca morta se move.

- Eu perdi minha luz. – a voz sai rouca, frágil.

O morto continua encarando a fogueira com a boca entreaberta mostrando os dentes amarelos. Parece mais bobo que assustador, um tanto triste. Os aventureiros ganham confiança.

- Então vá procura-la em outro lugar! Vamos defender nosso território e te destruir se nos ameaçar. – fala rispidamente o porta voz deles.

- Seu território? – os olhos do lich voltam-se novamente em direção aos aventureiros – Eu já fui uma estrela fulgurosa capaz de iluminar mundos. O maior dos guerreiros da Luz, general das hostes celestes. Todos eles se foram, e agora também parti. Minha luz se apagou... Não! Eu cedi voluntariamente minha luz em troca desse território. Não só do pedaço de chão iluminado por essa fogueira, mas de toda essa terra morta, de todo esse povo triste. Não sou mais um servidor da lei. Eu sou Alatriste, o Rei de Espadas, senhor do submundo e imperador dos mortos.  De horizonte a horizonte, tudo aqui é meu domínio! Inclusive vocês.

Da escuridão ouve-se um uivo longo e agudo, seguido de inúmeros outros. As sombras dos esquecidos saúdam seu rei. Os aventureiros percebem que estão cercados e sua confiança esmorece, mas eles não vão desistir sem lutar. Conjuradores entoam seus feitiços invocando proteção e força para os guerreiros. Poções são bebidas, talvez os últimos recursos economizados para o último momento de necessidade. Mas o último momento não vem. O lich permanece encarando os aventureiros sem mover-se.

O silêncio volta a imperar no tempo sem tempo da Zona Fantasma, mas o anticlímax não dispersa a tensão dos aventureiros. Eles apertam os cabos de suas armas e fazem mira com seus disparadores, esperando o primeiro movimento para explodir o ataque. Entretanto nenhum deles ousa ser o primeiro. O porta voz da uma risada nervosa e diz:

- Então o que estamos esperando? Por acaso quer que nos ajoelhemos e nos entreguemos voluntariamente para sermos devorados? Não pense que isso vá acontecer, meu chapa, não sem violência. Não sei o que você é realmente e se é tão fodão quanto diz ser, mas, seja o que for, vai ter de enfrentar o ferrão das abelhas antes de provar do mel. Somos veteranos nesse inferno, tão demoníacos quanto qualquer coisa que rasteja atrás de você. Nos enfrentar certamente vai te custar alguma coisa.

A boca morta do lich se arreganha no que talvez seja um sorriso, o que o faz parecer bobo novamente.

- Reconheço o valor de vocês, aventureiros, e reconheço minhas limitações. Falta algo, ainda. Não tornei-me pleno, esta personificação é estranha. Não sei como manifestar meu poder real. Preciso aprender a ser o que me tornei. E sinto dor, muita dor. Dor como nunca senti. Ela trava meus músculos e pesa meus ossos. Sei que não é uma dor física. Meu corpo está morto, incapaz de sentir qualquer coisa. É algo mais profundo, mais perverso. Algo cresce aqui dentro dilacerando meu conceito, ocupando espaço que antes era luz imaculada. Sequer consigo pensar direito. A clareza se foi, sobrou um coro de vozes destoantes em minha cabeça, cada uma gritando para seguir uma direção, clamando para que eu satisfaça desejos sombrios.  

O porta voz dos aventureiros deu uma gargalhada.

- Só faltava essa. Agora temos que lidar com monstros com problemas existenciais. Não tem psicólogo aqui, seu trouxa. Mas, de acordo com minha experiência, diagnostico que você é doido varrido. O tratamento é muito simples, é só a gente te encher de porrada. Podemos começar?

- Não, obrigado. Já tenho uma ideia do que me acontece. Acho que estou desenvolvendo uma sombra. Ela sempre esteve aqui, reconheço, reprimida por minha superfície massiva de luz celestial. Agora ela cresce desenfreada, festejando finalmente ter se libertado e tomado o controle. Não importa para vocês. De qualquer forma, não vou enfrenta-los em batalha.

-Então essa baboseira toda e agora não vai ter quebra pau? Vai enfiar o rabinho entre as pernas e sair filosofando? Ta zoando com a nossa cara?

- De forma alguma. Haverá confronto, só não será comigo. De qualquer forma, obrigado por esta conversa. Aprendo muito com vocês, aventureiros e logo saberei tudo que vocês sabem. E obrigado por aguardarem comigo a chegada de meu servo. O banquete é seu, Gula. PEGA!
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Re: A prisão dos mortos - Fome

Mensagem por Edgard em Qui Out 12, 2017 8:46 am

O pobre mago que em sua concentração, se protegia o mais distante possível do Lich decrepito, recitava runas magicas se preparando para o combate, mal esperava ele que o maior perigo apareceria de suas costa, e em apenas uma mordida a cabeça do mago e engolida pela criatura que naquele momento tinha aproximadamente 3 metros de altura. O monstro demostrava sua forma mais bestial. Quando todo grupo se vira para criatura que saiu sorrateiramente da sombras, já é tarde demais para o curandeiro que se apegava a fogueira, está que é ignorada pela fera. O pobre clérigo é dilacerado em dois, os guerreiros que se ponham afrente se viram horrorizados com tal monstruosidade.

- Em formação!! - gritou o guerreiro desesperado.

- Gula fome, carne gostosa, gula devorar todos - a criatura urra com uma voz rouca e potente.

O brandir de espada dos aventureiros experientes acertam a criatura que não faz nenhuma questão de esquivar. E num girar de mão do monstro ele tenta agarrar o guerreiro a frente que agilmente esquiva e atinge o ventre da criatura. Mas a ferida feita toma forma de uma boca nojenta, cheia de dentes ponte agudos, que rapidamente trava a espada e a puxa para dentro. O guerreiro larga sua arma para que não fosse engolido pelo ventre da criatura, mas isso não impede que ele perca a cabeça em uma mordida de Gula. De repente uma grande explosão acomete a criatura causando uma grande fumaça. O rugir cessa. O aprendiz do mago que morrera preparando um grande feitiço, consegui terminar o ritual do seu mestre criando uma gigantesca bola de fogo que atinge em cheio a criatura. Quando a fumaça começa a baixar, em suspiro de alivio dos aventureiros restantes, vêem a criatura com metade do corpo destruído, caída no chão, aparentemente sem vida. Comemoram a vitoria, mas cedo demais, dos restos a monstruosidades começa a se regenerar em velocidade absurdamente rápida.

-Vocês acham que podem comigo? Sei muito bem como lutam, já vi a memoria do mais velho do seu bando - A voz e mais suave menos rouca, mais eloquente, mais inteligente.

Gula toma a forma humanoide, com aproximadamente 1 metro e 70. Ele morde o ar rasga a realidade e pula lá dentro, sumindo da vista dos aventureiros.

-Juntem-se vamos ficar costa com costas, ele vai voltar tenho certeza - gritava o mago aprendiz que soltara o feitiço.

Mas o pequeno ladino desesperado corre em fuga - Eu vou fugir daqui, ele não pode me achar - o pequeno usa seu movimento furtivo e some aos olhos de todos, mas não ao olfato de Gula, que detecta o medo do pequenino, rasgando a realidade Gula retoma a cena pulando no nada e quando cai no chão está em cima do ladino, que estava magicamente invisível. Com suas duas mãos que tomam forma de garras ele perfura os dois ombros do halfling empalando o mesmo no chão.

- Adoro carne fresca, ainda mais quando está respirando.

Os dois aliados restantes correm em auxilio do amigo, mas quando se aproximam, o olhar de Gula se vira e paralisa de medo ambos aventureiros.

-OLHAR DO MEDO! PARALISAR! - Grita a criatura - Assistam.

Cuidadosamente Gula abri a cabeça do pequeno e come seu cérebro, seus dois amigos assistem horrorizados aquela cena e nem mesmo desviar o olhar eles conseguem, efeito da magia do monstro. Ao determino Gula degusta cuidadosamente o cérebro de cada um dos dos dois. Mesmo com grande esforço, nenhum dos dois aventureiros conseguem se livrar do medo que trava suas articulações, medo este implantado magicamente pela criatura, a morte dolorosa é o que Gula proporciona. O campo de batalha tingido de sangue e coberto por restos de aventureiros, se acalma.

Gula retoma forma ereta, todo sujo de sangue. Se vira para o Lich.

-Muito bom ver meu mestre, gostei muito do banquete que preparou para minha chegada. Eu estava me alimentando apenas das sombras que habitam este lugar, mas elas não tem sangue, não tem carne. Muito bom ver o senhor. Gostaria de entender o que está acontecendo mestre, por que o senhor está assim, por que estamos aqui. E por que saímos da fronteira.
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