A ESTRADA DE UM MARTIR

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A ESTRADA DE UM MARTIR

Mensagem por Bruno em Ter Set 26, 2017 11:01 pm

E ela o culpa por tudo, ela o culpa por existir, por não entender o porquê de existir alguém que se preste à mais baixa das posições sociais tendo o maior dos poderes almejados por aqueles à quem ele quer ser igual.

Ela diz que ele não tem razão para largar tudo, para abandonar a linhagem real, que sair em uma aventura assim é tolice, que ela o despreza por agir assim.

Inveja? raiva? Não, é o sentimento de alguém que o julga fraco, incapaz de resolver seus próprios problemas e que se coloca na posição dos outros, o que não seria digno de um rei, um rei deveria fazer com que os outros satisfizessem sua vontade e não o contrário.

Ela o culpa por ter dedicado tempo a ele, ela diz que perdeu tempo com isso e que ele jogou tudo fora, que ele não conseguiu fazer seu papel, que ela nunca viu alguém tão fraco.

Certamente ela esperava outra coisa, seja de histórias, de posturas, mas ele, mesmo com todas as suas dúvidas colocava dentro de si a certeza do que não queria para si, era a única coisa que ele tinha pra se agarrar, a certeza do que ele não queria, e ir em busca do que desejava.

A dúvida se estava fazendo a coisa certa sempre o martelou, seu conforto era a floresta, o som dos passarinhos pela manhã, o calor da fogueira durante a noite....

Sua mãe já sabia o que seria dele quando colocou seu nome, Martis, sim, alguém que se colocaria para levar o primeiro golpe, que questionaria os superiores do mundo que ele escolhesse viver, que iria puxar o rumo das coisas para algo mais humano, mais profundo e sensível....

E para aquela detentora das pérolas negras, ele era um fraco, aalguem que renunciara ao poder, que renunciara à postura, status, poder despótico, para ela isso era incabível....

Para ele que a via como alguém importante, alguém que fazia parte de sua vida, sabia que teria que desapontá-la.... ele tinha vários caminhos a seguir, apenas o que fez foi negar os que não queria, rejeitar aquilo que lhe era incômodo.

Ele caiu, ele se perdeu, sofreu a maior das derrotas, mas sem saber como, conseguiu se erguer, e caiu mais vezes... e chorou, e se rendeu à raiva, ao ódio, para então entender que estava caindo no caminho da mulher de pérolas negras....

Com a ajuda do olhos vazios, ele entendeu o que havia, ele entendeu o que deveria fazer... apenas se reerguer e seguir... caminhar, buscar as coisas que queria....

O caminho não seria fácil, mas ele teve ajuda, este apoio, algo que poderia ser considerado frágil, ele simplesmente usava como sua corrente, um prisioneiro libertado, algo estranho de se definir, mas alguém que tinha em sua corrente o apoio para a liberdade que sempre quis....

Sensatez......

Bruno

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