Relato Regina

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Relato Regina

Mensagem por MarinaCavoli em Sab Set 30, 2017 6:18 pm

Relatório - Ultima chance
Status: Incompleto

PARTE I - Chave


Mergulha nas treva eu os vejo, perdidos da forma mais plena do termo, eles não sabem quem são ou o que foram, apenas seguem tentando devorar lembranças tentando encontrar algo para ser, a zona fantasma é sobre isso, e sobre isso, sobre o que era e não é mais, sobre o que passou e não pode ser recuperado, sobre aquilo que o universo quer que não seja recuperado. Mas diferente do resto eu quero continuar eu quero permanecer, eu quero lembrar e ser lembrada, eu quero existir por mais doloroso e louco que isso possa ser.
Eu não lembro como vim parar aqui, nem onde minha mestra está, a ultima memória que tenho dela são as palavras " eu sei que você consegue", mas é apenas uma voz na escuridão, pode ter sido um sonho forjado pela minha vontade. Mas Dahlia é um passaro não um cão, ela vai e volta conforme sua vontade, conforme a nescessidade, mas qual demanda ela obedece pra aparecer, só ela sabe
.
O fato é que estou com Max, e a pirralha filha de Miranda, Talita uma mistura de humano e marino, parecida demais com a mãe, o sangue deles é magicamente poderoso mas seus traços também se impõe. Com o cabelo curto, a pose de quem sabe tudo ao lado de Max como algum tipo de escudeira, tentando salvar um mundo ja perdido, ela lembra demais a ele, maldito heroizinho, maldito sentimento, maldito sentimento.
Andavamos, a esmo não a esmo, fugindo dos vermes, procurando locais, seguros produzindo fogo combatendo sombras, procurando comida, tudo parecia frágil ali. Tudo era um deserto estéril, eu estava fraca a magia ali era escassa, o mana ali era escasso, eu tomava cuidado com cada magia que invoca, tinha até mesmo arranjado uma adaga pra me ajudar, eu não a usava tão bem, mas me colocar entre o escudo de Max e os poderosos punhos de Talita me mantinham segura na maior parte do tempo.

Nós dormíamos de vez em quando, sem noite ou dia era difícil contar o tempo, até meu relógio tinha parado. Dormir era estranho eu sonhava, sonhava que era uma garota com chifres, que tinha poderes curativos, ela parecia sempre impulsionada por um amor impossível, garota tola. Ela sempre estava em uma terra verde e viçosa eu podia sentir o ar fresco de primavera, eu podia sentir a compaixão em minhas veias era como se não fosse um sonho.

De novo fomos em frente, existia uma luz, uma fogueira talvez outros sobreviventes, até que Max apontou a lança a frente, tinha visto algo se mexer nas sombras rapidamente a filha de miranda tomou a frente, mas estavam antes de dois segundos desarmados

“miranda”
“miranda”
“mãe….”

Ela estava lá, mas não era a Miranda que eu me lembrava, não aquela figura régia, firme que carregava em si as marcas da nobreza, vestida do jeito que eu a via agora ela parecia, desbotada. As roupas sujas e rasgadas, o cabelo bagunçado e tinha perdido a firmeza nos passos ela se arrastava, eu quase senti pena, mas ai lembrei que ela uma genocida. Talita correu para abraça-la, diferente da ansiedade que a garota demonstrava para se aproximar da mãe, eu queria me afastar, era de certa forma desconcertante olhar a intimidade entre elas, eu quase achei fofo, se não fosse Miranda.

Max antes de mim apontou a frente, numa elevação, fogo. Mais sobrevivente ou talvez uma armadilha, eu tirei a adaga que tinha consegui em Andares anos antes, Jonas estava junto assim como Saphira e Dahlia, tem dias que parece que foi a séculos, tem dias que parece que foi ontem. E como um pensamento que invoca a realidade, como o VÉU que invoca mudanças, achamos Jonas aquecendo as mãos na fogueira.

Logo tinha um grupo, tentando manter a fogueira acesa, buscando lenha tentando afastar a sombra, como em um ciclo vicioso iamos perdíamos voltavamos, tudo parecia um paliativo nada parecia funcionar efetivamente, diziam que o inferno era chamas, mas ali era frio, e com toda certeza era o inferno. Talita e Max iam a frente enquanto eu, a covarde fraca que sempre fui, ia atrás, mas mesmo covarde e fraca ainda era útil, com o escudo gigante de max o defendi algumas vezes, mas como a fraca que sou cai. Arrastada para a escuridão, abri os olhos enquanto mais horror se juntava as minhas memórias, memórias que náo eram minhas, uma caixa se fechando um corpo explodindo em sangue enquanto uma sombra negra saia das gotas se juntando para formar uma mulher, uma garota nua sobre uma cama, sentada sobre os joelhos e com lágrimas nos olhos mas com o olhar firme de alguém que aceitou seu destino, uma criança de olhos assustado olha pra uma maçaneta que se recusa a abrir enquanto suas pernas tremem e suas mãos tentando inutilmente abrir a maçaneta ela se vira, para encarar olhos vermelhos famintos os dentes afiados e a certeza de que sua alma seria arrancada permanentemente de seu corpo.

Eu senti a pulsação do mundo em meu corpo, a trama estava afinando e engrossando enquanto eu tentava me mexer o mundo piscava, tudo parecia ficar distorcido, mudado era algo com o véu, eu olhei em volta, eu olhei minha mãe e ela não parecia estar envelhecendo, não era eu que em desespero estava tentando estreitar o VÉU, ele estava louco lá.

Acordei, ou melhor pulei do pesadelo de outros para o meu mesmo, de costas no chão cercada por um vórtice de escuridão, conseguia distinguir um brilho estranho acima de mim, estava deitada sentia a lama embaixo de mim e os galhos de uma enorme árvore com galhos retorcidos e secos, mas era grande demais pra ter crescido naquele solo infértil, existiam coisas balançando com o vento, como outros galhos, eles eram bizarros. Bonecos presos pelo pescoço, enforcados por um tipo de teia, sem face mas eu quase sentia algo emanando deles, um tipo de aura, uma ligação, eu tive medo daquela energia viva e morta ao mesmo tempo, eu tremi, mas me contive. Eu tinha que contar a Jonas, mostrar a ele mas eu mal conseguia me mover. Eles me mataram? Eu estou morta? Mas… eu ja não estava no inferno… eu…

“Regina?”

Zonza, me arrastei até Jonas, minha cabeça rodava e minhas memórias pareciam confusas, Miranda falava pra max sobre um portal, Jonas disse que a árvore cheirava a VÉU e que tínhamos que investigar. Olhei para os lados vi Talita defendendo um dos flancos, Martis, um tipo de guerreiro. Max parecia preocupado com manter posição do que avançar, eu precisava de um escudo, eu precisava de força bruta.Talita era filha de quem era, talvez chama-la a liderança fizesse os outros seguirem a ela e então eu teria tempo, tempo de investigar de sentir de concluir. Não funcionou, talvez fosse jovem demais talvez por não arriscar ir sem seu mestre. não a culpo, uns anos antes e eu se quer usava o véu fora da presença de Dahlia.

Alguém guardou minhas costas, eu roubei um dos enforcados “amostra”, ele olhou pra mim tenso.
“ Temos que ir para aquele lugar, o véu é instável lá eu vou acessar o outro lado! Me ajude como âncora Regina!”

O grupo todo foi, eu e Jonas no centro enquanto Max comandava o círculo a nossa volta, contra as sombras, os esquecidos. Eu me ajoelhei e juntei as mãos enquanto Jonas ficou deitado, me concentrei enquanto sentia meu sangue recusar minhas palavras, enquanto senta a trama se tornar mais fina, a minha energia ia sendo drenada enquanto via os olhos de Jonas se tornarem brancos, ele também estava quase pronto.

“ EU ESTREITO O VÉU”

Cartas

Estou perdida tem… um burraco, eu sei como fazer eu fiz mil vezes, eu invoquei as chamas mil vezes mas a primeira, a primeira vez eu...NÃO CONSIGO LEMBRAR… onde elas estão...Jonas...Ele, ele me ensinou as memórias, elas tem cor elas se parecem com os donos eu posso achar, mas eu estou...o veneno eu não tenho tempo eu tenho que me concentrar, vamos Regina, pense, você não é uma criança assustada, vamos… Elas tem… cor e cheiro que se parece com as dos donos, eu preciso achar minhas memórias, Jonas foi aluno de Alatriste, eu sou aluna de Jonas eu posso, eu posso acha-las. EU VOU ACHA-LAS.








Espelho

Eu vi o mundo se desfazer enquanto ela recuava e em seus olhos eu podia ver a sombras dos erros que ela cometeu e que nunca soube se perdoar, o mal necessário que ela nunca viu como tal, ela se afastava deixando o peso do mundo a esmagar ela se afastava deixando o peso do mundo me esmagar eu não pude segura-la, eu pedi eu implorei, mas ela já tinha ido embora, enquanto Drake me segurava para não mergulhar nas sombras e ir busca-la, eu sabia que ela tinha que ir mas não agora, não daquele jeito era cedo demais.

-Antes

O Véu estava fino, meus duplos disputavam soberania dentro de mim enquanto eu tentava manter a sanidade acima da disputa, enquanto eu tentava me manter vitoriosa por mais tempo, Elektra, Abril, Marina elas disputavam a soberania sobre o corpo, eu Regina tinha que permanecer vitoriosa tinha que manter Dahlia ali até completarmos nossa missão, até conseguirmos trancar o monstro do lado de fora, até finalmente nos livrarmos dele, definitivamente, se ela fosse embora cedo demais, se fosse embora antes de derrota-lo teria sido tudo em vão, as memórias perdidas por vontade própria, a morte de tantos amigos, a loucura de outros, os anos na Zona Fantasma, os estudos feitos sob tensão, os anos de vida perdidos em segundos os testes falhos, todos os sacrifícios seriam em vão.


E esses tolos, esses malditos tolos, me chamando por outros nomes, a invocação mais forte, era impossível segurar-me no poder quando eles chamavam um dos nomes, Elektra ansiosa por jogar Dahlia na escuridão ajudou Nolan com o sangue para Zaphyr, enquanto Abril tentava convence-la a não se unir de forma alguma a ele, porque a ultima vez já tinha falhado, não era um pouco de sangue, ele exigia uma massacre, um genocídio e qualquer vida era importante demais. Mas Nolan parecia ansiosa por cair na armadilha de novo. O mundo girava cada vez mais rápido, eu me sentia mais invadida enquanto a ultima memória se misturava e era dada a um dos meus duplos ou até mesmo meu duplo mais próximo, a Regina de um plano que era quase uma cópia do meu de origem, que era mãe de Saphira.

Alatriste, Zaphyr nós tínhamos que pensar juntas todas nós ao mesmo tempo, e só tinha um jeito, com o Véu tão fino, ficaria mais fácil falar com todas elas encaixar as informações saber como agir. Dahlia chamou Liang para fazer com que o som a nossa voz fosse abafado e ficássemos seguras, ele sugeriu chamar o Mapeiro, mas ele era um traidor, ele e Nameless nos deixaram na Zona Fantasma, não lembro como saí mas Dahlia ficou lá mais tempo que eu tempo o suficiente para acharmos a outra Regina, para construírem na intercessão a Torre Arvore e a Floresta das memórias, tempo demais, Liang queria trazer um traidor mas não o deixamos. Ele abandonou por um tempo a ideia e nós conseguimos tempo, usamos o espelho, chamamos umas as outras pelos outros nomes, mas algo ia errado, tínhamos que ser plenas ter acesso a todas as informações, conseguir junta-las, nós não podíamos mais estreitar o Véu, não era o suficiente, nós teríamos que rasga-lo, Liang não concordou, tolo, maldito tolo em seu mundo absurdo ele achou que um traidor poderia ajudar, tentamos explicar o motivo de queremos o Mapeiro longe.

Liang mal tinha saído quando a primeira tentou nos impedir, sem a barreira barda dele estávamos expostas, eu dizia que o que eu fazia com o Véu estava sobre controle, era resultado de anos de estudo, mas eles eram cegos em seu medo, e temiam o que não conheciam, Liang trouxe o traidor que tentou se explicar, eu posso colocar a culpa na natureza de Elecktra mas seria mentira, eu o fiz porque quis. Liang não era mau, mas era um tolo, ela estava preso demais a suas proprias ideias, um traidor um traidor com boas intenções, mas eu não me importava, deixava essa historia de perdão para Abril, eu queria vingança . Logo vieram em seu auxilio, eu não me importei quando cravei os pés do guerreiro no chão, nem quando queimei o pé da garota goblin, Liang insistia que era isso que o Véu causava. Eu quis apaga-lo mas Drake já me segurava, ele dizia a Dahlia que nada de bom vinha do Véu que isso não era equilíbrio, então ele veio, MALDITO MALDITO, MIL VEZES MALDITO, ele gritou que ia mostrar o que o Véu era, e gritou “Eu estreito...” sua frase mal tinha acabado olhamos em volta e vimos espadas em punho e feitiço a posto, ela recuou, desesperada, perdida como tantas vezes já vi, eu tentei segura-la, mas era tarde demais. Passei a noite toda evitando aquele gatilho, mantendo-a longe dele desviando-a deles protegendo-a, precisaria das três para aquilo, eu sabia, sabia que ela teria que ir embora, que seu tempo estava se esgotando e que essa era sua vontade, nenhuma de minhas palavras poderiam mudar isso, eu tinha apenas que aceitar e me prepara, me preparar para depois da batalha.



Eu analisei as hipóteses, se eu morresse me pouparia, eu talvez torcesse pra morrer durante a batalha quando a vitória já estivesse encaminhada, me proteger de ver ela chegar ao fim, me proteger da solidão que viria com isso, ela era a ultima, Jonas tinha partido, explodido em mil pedaços na minha frente, eu suspeitava que ainda existia um pedaço dele em um bolso mal lavado, Vitus esse eu já conheci morto, eu o quis vivo, intensamente mas a principio foi apenas para salvar a minha preciosa pele. Vitus e Jonas, ambos meus mestres, eles entendiam minha necessidade mas não minha dor eles me ensinaram, mas era completamente diferentes de Dahlia. Os dois me deram informação, sabedoria prática, uma missão, mas Dahlia, Dahlia me deu a vida, ela me trouxe dos mortos, ela me acordou do topor, existir não é viver e Dahlia me fez viva, eles eram meus mestres, ela era minha parceira, minha amiga, minha confidente ela era minha mãe.
-AGORA

Então quando ela se perdeu em si mesma, quando o fim dela não foi grandioso e sim resultado das palavras duras de um tolo, da insistência medrosa de Liang, do medo paralizador de ratos incapazes de ver que a luz pode salva-los dos gatos então apenas se escondem e esperam pela morte, então quando vi que estava fadada a continuar sem ela, eu me perdi. Eu emplorei enquanto Drake me segurava, eu a vi ir com as mãos estendidas tentando alcança-la, impedi-la. Eu queria abraçar seus joelhos como uma criança perdida eu gritei seu nome enquanto Drake segurava meu corpo que tinha perdido a força das pernas, e o mundo pareceu um borrão enquanto eu sentia o ar pesar em meus pulmões, eu não conseguia respirar, eu não conseguia me manter de pé e minha cabeça doía como se tivesse recebido a marretada de um anão furioso, eu tentava me manter consciente mas eu não sabia se queria, eu queria que tivessem chamado alguma outra, eu queria desaparecer virar uma alma vagando na Zona fantasma, sem memórias, sem passado e sem futuro, sem aquele enorme buraco em meu peito, aquele vazio que fazia meu corpo sucumbir, a solidão mais absoluta de todas. Eu quis ir embora, mas não conseguia, eu me rendi mas nenhuma das outras quis tomar meu lugar, eu não podia se quer ouvi-las eu me rendi mas ninguém veio tomar minha rendição.

Sem algozes, sem amigos, sem mestres, sem amantes eu tinha chegado ao pior destino possível, nem esquecimento, nem sombras, nem luz o pior destino de todos, nem sabedoria nem ignorância, nem força nem fraqueza, só a imagem vazia do espelho que nunca mais refletiria aquele rosto me trazia segurança e cumplicidade o rosto daquela com quem vivi meus melhores e piores dias, com quem aprendi tanto que meu deu colo e abrigo que lutou ao meu lado que viveu a nossa missão, que desafiou todas as regras para tornar a balança justa. Vitus era a faísca, nós fomos a chama, mas agora o fogo era uma brasa sucumbindo na escuridão. Ela tinha ido embora, e agora não me sobrava mais nada além de solidão.

MarinaCavoli

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Re: Relato Regina

Mensagem por Thaís em Sab Set 30, 2017 6:43 pm

No frescor do rio eu fui chamada. Um resquício de mim como o eco depois da fala.
Não se abale, menina, já lhe disse, você está pronta. É necessário sair das sombras e assumir o papel que lhe cabe neste mundo. Isso nunca acontecerá enquanto eu estiver por aqui.
Você pensa que foi cedo de um referencial restrito. Estou feliz que tenha sido assim. Algo ruim foi evitado, acredite em mim. Além disso, eu nunca fui de bradar meus feitos aos 7 ventos, não seria eu se tivesse sido diferente.
Tem sua própria filha para guiar, e mais histórias para escrever. Mas venha aqui, me deixe cuidar de você uma última vez.
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